terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Não o engano
de dizer eu te amo
como quem diz da dor que sente
Não o acaso do trabalho silente
de enzimas e neurotransmissores

Não a ação
nem tão pouco o padecimento...

Amar é o templo
de se revelar
o amor.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Inquilino

O coração
É um imóvel
Engraçado.
Onde um dia coube
o incabível
não cabe mais
o inacabado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Verso Limpo

Queria um verso
Limpo
Pra não dizer o que sinto
Um verso feito pra roubar,
de tudo que olho,
Meu olhar.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pituba II

É qualquer rua
ENSOLARADA
De muitos ventos
POEIRA
E folhas secas
AMARELADAS
De amendoeira.

Pituba

Vento forte
Arranca
O sal do mar
E desgrenha
Os coqueiros
Do jardim de
Alá.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A minha Ira

Não incomode minha ira
Ela dorme há muito tempo
E a qualquer momento
Ela pode despertar.

Na minha carne ela dorme.

Eu, sua criatura,
Agüento a tudo chorando baixo
Contando os passos
Bem devagar
Agüento a tudo
Por que ela dorme (esse ser verdadeiro)
O seu sono hibernal.

Eu sou o seu corpo
E vejam como estou magro,
Vejam minha cara de fome
Meus olhos fundos
Meu grito mudo ao crime impune.

E prestem atenção;

Minha ira promete,
quando acordar,
Naufragar todas as ilhas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Manhã a seu lado

Dormindo
Esqueceu de ser
rija maquinaria do viver
E despertou o Sol
Bem abaixo do meu umbigo.

O corpo ao meu lado
Ensinava-me
A Ser
As muitas maneiras de querer
Alguém
Por sentidos que eu mesmo
desconheço.